Ford Pinto/Mustang II: Os carros que foram vítimas de incêndio e crise do petróleo.

    O PINTO TEVE SUA IMAGEN AFETADA POR INCÊNDIOS E OUTRO NÃO TEVE O    BRILHO DA PRIMEIRA GERAÇÃO E FOI VÍTIMA DA CRISE DO PETRÓLEO.
Se você já está começando a dar risadas, ou achar que eu fiquei louco, já vou logo me ligando, tudo bem que um carro desse nome no Brasil, seria o maior fracasso de vendas da história brasileira. mas Pinto é uma raça de cavalos nos EUA, assim com o Maverick é uma raça de touros e Mustang também é uma raça de cavalos. então pare de rir e vamos lá!
   A Ford sabia que o sucessor do Falcon que seria o Maverick, não teria como ser um modelo de entrada, então a Ford tratou de lançar o seu carro de entrada, em setembro de 1970 como linha 1971 era lançado o Ford Pinto, ele vinha na carroceria.... vamos tratar por Hacht de duas portas apenas, duas versões de acabamento: Básica e Rounabout, ele mede 4.14metros de comprimento, 1.76metros de largura, 1.27metros de altura e 2.39metros de entre - eixos,  duas opções de câmbio: manual de quatro marchas ou automático de três marchas, duas opções de motor ambos de quatro cilindros e mesmo antes da crise do petróleo, a primeira opção era o Kent 1.6 com bloco e cabeçote de ferro e comando de válvulas no bloco acionado por varetas e corrente metálica, o seu diâmetro é de 81mm e o curso é de 77.6mm o que totalizavam 1599cm3, a sua taxa de compressão é de 8,4:1 e com carburador de corpo simples ele gerava 12.5KGFMa3000RPM e 76CVa5000RPM ainda que brutos, como curiosidade o Kent chegou ao Brasil nos anos 1990 como Endura e é inferior ao velho CHT..., mas deixa voltando a Ford americana a outra opção de motor já fabricada nos Estados Unidos era o Ford Georgia OHC 2.nada(2 litros, ou 2.0 como preferir...) com bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas simples no cabeçote acionado por correia dentada, o seu diâmetro é de 90.8mm e o curso é de 76.8mm o que totalizavam 1993cm3, com carburador de corpo duplo e taxa de compressão de 9:1 ele gerava 16.6KGFMa3600RPM e 101CVa5600RPM, ainda que brutos, a sua suspensão utilizava amortecedores de dupla ação, na dianteira era independente por braços curtos longos e altos com molas helicoidais e na traseira eixo rígido com feixe de molas, os freios eram a tambor nas quatro rodas e a direção era setor e rosca sem fim, mas poderia vir com pinhão e cremalheira como opcional, algo até bem raro no setor automotivo.
O Pinto chegava ao mercado com motores 1.6 de 76CV e 2.nada de 101CV, mais tarde a potência é em valores líquidos o 1.6 passa a gerar 55CV e o 2.nada passava a gerar 87CV e mais tarde o 2.nada cai para 84CV e depois para 81CV e o 2.3 com 81CV, mais tarde o 2.3 vai a 93CV e o V6 de 2.8 litros passava a gerar 101CV.
Visualmente ele parece um "mini-Maverick", em outubro de 1971 na linha 1972 três novidades, a primeira é que agora os carros teriam que ter a potência revelada em valores líquidos e com isso o 1.6 agora gerava 11.1KGFMa2400RPM e 55CVa4600RPM e o 2.nada agora gerava 14.2KGFMa3200RPM e 87CVa5400RPM, a segunda novidade era a perua Pinto Wagon, ela vinha com motor 2.nada apenas, duas opções de câmbio e lembrando que o 1.6 não tinha opção de câmbio automático, largura e entre - eixos do Hacht eram mantidos, mas altura ia para 1.32metros e o comprimento a 4.40metros e como sempre apenas opção duas portas e a última era o freio á disco sólido na dianteira como opcional.
A Pinto SW chegava ao mercado americano apenas com motor 2.nada e mais tarde o 2.3 já citado no Hacht e depois o V6 de 2.8 litros de 98CV.
E os incêndios? eu vi um episódio do Top Gear americano, que um dos apresentadores comprou o Ford Pinto e explicou que o tanque de combustível ficava próximo do cardã e aí qualquer batinha de leve, provocava incêndios e isso foi uma das causas da fama do Pinto, em outubro de 1972 na linha 1973 o motor 1.6 importado da terra do Jeremy Clarkson dá o seu adeus, o 2.nada passava por um "estrangulamento" e com isso gerava 13.5KGFMa3800RPM e 84CVa5200RPM e além disso novo para - choque dianteiro para cumprir exigência da lei americana ficando 1cm maior nas duas carrocerias.
   A Ford quis uma segunda geração e antiga geração era baseada no Falcon e dela saiu o Maverick
Caso esteja curioso veja a história do Maverick e seus irmãos entres o Mustang e em outubro de 1973 na linha 1974 duas novidades, a primeira é que o 2.nada agora gerava 13.5KGFMa3200RPM e 81CVa5400RPM e mantendo o carburador de corpo duplo e a crise do petróleo começa na mesma época e estreava o Georgia OHC 2.3 dotado de dupla carburação é o mesmo motor que equipa o Maverick quatro cilindros? ele mesmo. o diâmetro é de 96mm e o curso é de 79.4mm o que totalizavam 2302cm3, a sua taxa de compressão é de 8,4:1 e com isso gerava 15.6KGFMa2600RPM e 83CVa5400RPM, embora esse motor ainda era de fabricação americana, a Wagon também ganhava a opção do 2.3 e estreava o Mustang mais criticado de todos os tempos, era o Mustang II, ele tinha duas versões de carroceria: Fastback e hardtop, duas opções de câmbio: manual de quatro marchas ou automático de três marchas, três opções de acabamento: Básica, Ghia e Mach I, o Ghia era exclusivo do Hardtop, tanto o fastback como o hardtop  mediam , 4.44metros de comprimento, 1.78metros de largura, 1.26metros de altura e 2.44metros de entre - eixos, nos motores o Ford Georgia OHC 2.3 com dupla carburação era o mesmo já citado no Pinto, mas no Mustang gerava 16KGFMa2600RPM e 89CVa5000RPM e ganhava a versão V6 com o Cologne V6 de 2.8 litros, com 12 válvulas, com bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas simples no cabeçote acionado por corrente metálica, dupla carburação, o seu diâmetro é de 93mm e o curso é de 68.5mm o que totalizavam 2792cm3, a sua taxa de compressão é de 8,2:1 e com isso gerava 19.4KGFMa3200RPM e 106CVa4600RPM e nada de V8, ou seja a crise do petróleo pegou todo mundo e nem mesmo para o Mach  I que agora era reduzido a esportivo de adesivo... é esportivo de adesivo não é exclusividade nossa.
O Mustang II chegava ao mercado com motor 2.3 de 89CV e o V6 de 2.8 litros com 106CV e mais tarde o V8 302 de 5 litros(na verdade 4.95...) com 135CV e mais tarde vai a 136CV e mais tarde vai a 131CV e depois vai a 141CV e o de 131CV voltava aos 135CV.

O Mustang Hardtop com os mesmos motores do fastback.

O Mach I, agora um "esportivo de adesivo".
Em outubro de 1974 na linha 1975 o motor 2.nada dá o seu adeus, apenas o 2.3 permanecia para o Pinto e com isso passou a gerar 15.2KGFMa2800RPM e 84CVa4800RPM, tanto para o sedã como para a perua Pinto, já a perua Pinto estreava o V6 de 2.8 litros da família Cologne presente no Mustang, mas agora estava estrangulado para a linha 1975 que gerava 19.2KGFMa3200RPM e 98CVa4400RPM com carburador de corpo duplo e na linha 1975 do Mustang, o motor Georgia OHC 2.3 passava a gerar 15.8KGFMa2800RPM e 88CVa4800RPM, o V6 sofria o "estrangulamento" que já citamos na perua Pinto e para alegria de todos o V8 voltava, era o Windsor 302 V8 de 5 litros(na verdade 4.95...) com bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas no bloco acionado por varetas e corrente metálica, o diâmetro é de 101.6mm e o curso é de 76.2mm o que totalizavam 4942cm3, a sua taxa de compressão é de 8:1 e com isso gerava 30.8KGFMa2000RPM e 135CVa4600RPM é o mesmo motor que equipava o Maverick na época no Brasil, inclusive se analisar em dados líquidos, vai dar os mesmos 135CV, afinal a potência já era medida em  valores líquidos e disponível para todas as versões, mas apenas com câmbio automático o motor V8 estava disponível e o 2.3 dava adeus na versão Mach I.
  Em outubro de 1975 na linha 1976 o motor Georgia OHC 2.3 ganhava mais potência e agora vinha do Brasil e com carburador de corpo duplo e taxa de compressão de 9:1  agora gerava 16.7KGFMa3000RPM e 93CVa5000RPM e ganhava a opção do V6 Cologne de 2.8 litros para o Hacht só que agora gerava 19.8KGFMa2200RPM e 101CVa4400RPM, o Mustang II agora tem valores de potência e torque alinhados com o Pinto, nos 2.3 e V6 de 2.8 litros, e o V8 302 de 5 litros(ou 4.95) agora gerava 34.1KGFMa1800RPM e 136CVa3800RPM e o câmbio manual de quatro marchas finalmente é oferecido ao V8 e estreia o Cobra, que apesar do nome só trazia diferencial o curto e com direito de opção quatro cilindros, além do V6 de 2.8 litros e o V8 302 de 5 litros(4.95 na verdade...) e suspensão calibrada para melhor estabilidade e o Pinto também ganhava sua versão "esportiva" chamava Stalion e o mesmo motor 2.3 e V6 dos outros Pinto.
O Mustang II Cobra chegava ao mercado americano e os mesmos motores 2.3, V6 de 2.8 litros e V8 302 de 4.95 litros(ou 5 litros).
      O Pinto Stallion chegava ao mercado e os mesmos motores 2.3 e V6 de 2.8 litros das demais versões.
Em outubro de 1976 na linha 1977 o Pinto é reestilizado com nova grade dianteira, faróis e para - choques, no motores o Georgia OHC 2.3 cai os números de potência de novo: 16.5KGFMa3000RPM e 89CVa4800RPM, o V6 de 2.8 litros também tem uma redução de potência e com isso passava a gerar 19.4KGFMa2600RPM e 94CVa4800RPM e aliás o V6 só estava disponível com câmbio automático no Pinto,  já na Wagon, ela ganhava versões para lei de emissões da Califórnia, com isso o 2.3 gerava 86CV e o V6 de 2.8 litros gerava 91CV, mas nas mesmas rotações e mantendo o torque, mas ela ainda mantinha o visual antigo e o Mustang II ganhava os mesmos "estrangulamentos" nos motores 2.3 e V6 de 2.8 litros, até o V8 302 de 5 litros(4.95...) ganhava uma versão "estrangulada" com 33.4KGFMa2000RPM e 131CVa4400RPM, mas como consolo vinha uma versão mais potente do V8 302 de 5 litros com 34.2KGFMa1800 e 141CVa3600RPM.
O Pinto é reestilizado com nova grade dianteira e motor 2.3 de 89CV e o V6 de 2.8 litros com 94CV.
Em outubro de 1977 na linha 1978 é vez da Pinto Wagon, ganhar a reestilização do hacht, que a Ford americana chamava de sedan, nos motores mais "estrangulamentos" o Georgia OHC 2.3 passava a gerar 16.3KGFMa2800RPM e mantendo os 89CV e o V6 Cologne de 2.8 litros agora gerava 19.7KGFMa2200RPM e 91CVa4400RPM e taxa de compressão é de 8,7:1, o Mustang II ganhava as mesmas alterações nos motores quatro cilindros e V6 de 2.8 litros e o V8 302 de 5 litros(ou 4.95) agora mantinha duas configurações de potência, ele voltava a 135CV e o de 141CV era mantido e a perua Pinto ganhava a versão Crusing Wagon que era quase um furgão com janelas pequenas.
A Pinto Wagon ganhava nova dianteira e motor 2.3 de 89CV e o V6 de 2.8 litros com 91CV.
                  A Crusing Wagon é quase um furgão com janela aberta e pintura descolada.
Em outubro de 1978 na linha 1979 o Mustang migrava para a plataforma Fox,  já o Pinto ganhava faróis retangulares e nos motores o 2.3 continuava, mas o V6 de 2.8 litros ficava mais potente, agora gerando 19KGFMa3300RPM e 101CVa4400RPM, a perua continuava com o mesmo visual.
O Pinto ganhava faróis retangulares e os motor 2.3 era mantido e o V6 de 2.8 litros vai a  101CV e depois apenas o 2.3 é mantido.
Em outubro de 1979 na linha 1980 o motor V6 dava adeus, só ficava disponível e os incêndios? foi resolvido com algumas mudanças, mas o Pinto ficou marcado, qualquer semelhança com o Fiat Tipo no Brasil é mera coincidência e a Pinto Wagon ganhava os faróis retangulares e perdia o motor V6.

A Perua Pinto ganhava faróis retangulares.
Em outubro de 1980 o Pinto dá o seu adeus e no ano seguinte chegava o sucessor dele que seria


O Escort americano é quase igual ao nossos modelos de 1983 a 1996 ou MK3/MK4 dos europeus.
COMO SEMPRE É NATURAL QUE CARROS FORD, tenham versões Mercury, o Mustang II já não teve versão Mercury já que o Capri importado da Europa, atendia esse mercado, mas o Pinto demorou a ter e em outubro de 1974 na linha 1975 a Mercury apresentava o Bobcat, em duas opções de carroceria: Hacht de duas portas(dá até para dizer que é um cupê) e perua de duas portas que é chamada de Wagon, ele tinha as mesmas medidas do Pinto, mudava apenas grade dianteira, faróis e para-  choques e como curiosidade o modelo Bobcat exportado para o Canadá era igual ao Ford Pinto, já o vendido no mercado americano era diferente e duas opções de motor: o Ford Georgia OHC 2.3 com 84CV e o Cologne V6 de 2.8 litros com 98CV todos já citados no Pinto e nas duas carrocerias, duas opções de câmbio: manual de quatro marchas ou automático de três marchas.
O BobCat chegava ao mercado com motor 2.3 de 84CV e Cologne V6 de 2.8 litros com 98CV.

 
A BobCat Station Wagon com os mesmos motores.

O BobCat vendido no mercado canadense igual ao Pinto americano.
Em outubro de 1975 na linha 1976 o motor Ford Georgia OHC 2.3 feito no Brasil vai a 93CV e o V6 de 2.8 litros da família Cologne vai a 101CV, mais detalhes dele, citados acima no Pinto ou no Mustang já que se trata do mesmo motor, em outubro de 1976 na linha 1977 o 2.3 voltava a 89CV na Califórnia e 90CV no resto dos Estados Unidos e o V6 de 2.8 litros vai a 91CV na Califórnia e 94CV no resto do país, em outubro de 1977 na linha 1978  o 2.3 de 89CV e o V6 de 2.8 litros com 91CV agora era para todo o país, em outubro de 1978 na linha 1979 nova grade dianteira e farois retangulares igual ao Pinto, tanto para o Hacht(pode chamar de cupê também...) quanto a Station Wagon(perua), nos motores o 2.3 continuava sem alterações e o V6 de 2.8 litros agora gerava 103CV e como sempre o V6 apenas com câmbio automático e chegava a versão Sport que era apenas esportivo de adesivo.
Nova grade dianteira, faróis retangulares e o motor 2.3 continuava e o V6 de 2.8 litros vai a 103CV e um ano depois fica apenas o 2.3.
A Bob Cat Wagon também ganhava nova frente.

O Bobcat Sport e os mesmos motores das outras versões.
Em outubro de 1979 na linha 1980 o motor V6 dava o seu adeus e em outubro de 1980 na linha 1981 ele dava o seu adeus do mercado americano e era substituído pelo Lynx versão Mercury do Escort.
 
Essa plataforma foi manchada nos Estados Unidos por diversas razões.
1Esportivos de adesivos.
2Incêndios no Pinto
3Mustang II era inferior ao antecessor, quando podia ser igual ou superior.
4O Mustang só voltou a ter V8 em 1975.
5Crise do Petróleo(não é culpa dele) e você pode ver que todos os modelos americano naquele tempo mudavam a potência conforme ano/modelo.
Mas ainda assim foi importante, manteve a saga do Mustang e inseriu a Ford nos "subcompactos"(para os padrões eles é claro).
 
 
E uma curiosidade, Mauro Salles contou na quatro rodas de setembro de 2003, que a Ford brasileira antes da compra da Willys pretendia fabricar o Cortina no Brasil, mas com a compra dessa, veio o projeto "M" que vira ser um carro que tem parentes na Renault e na Dacia da Romênia.

O Corcel com ela as suas derivações., mas enfim a ideia original era batizar o nome de Cortina, mas o pessoal da matriz perdeu a batalha e resolveram colocar ele de Capri, mas a agência publicitária caiu de pau, afinal a versão GT já planejada, deveria ter uma visão jovem e Capri não era nome e com nome do Mustang em mente, o pessoal da Matriz sapecou Pinto, que é o nome de uma raça de cavalos. Mas infelizmente Pinto no Brasil tem dois significados: Filho da galinha e outro nem vou comentar e agência insistiu no nome Corcel, Lee Lacocca aprovou o nome, mas era preciso aprovação de Henry Ford II e se falha-se seria Capri e aí a explicação do Mauro Salles e a Ford concordou com o nome e aí Mauro Salles, perguntou "Para que tu isso para batizar um carrinho" e aí Henry Ford II o pegou pela mão e levou até lá fora, "Está vendo lá encima?" e Mauro Salles, respondeu "É o Oval da empresa" e Henry Ford II respondeu "Nada disso, o que está lá encima é assinatura da família " enfim o gesto se repetiu varias vezes, se lançar um carro com nome Pinto no Brasil ele estaria rasgando a própria assinatura.... ainda bem que o nome não veio para o Brasil.
 



 

 
 

 


 
 

 

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