Industria automobilística australina está morta e enterrada.

DEPOIS DE 59 ANOS INDUSTRIA AUTOMOBILÍSTICA AUSTRALINA CHEGA AO FIM.

Na sexta-feira dia 20 a General Motors Holden encerrou a produção de automóveis, dá para ver que o clima é de velório, mas não só da produção da Holden e sim de todos os veículos na Austrália, afinal poucos dias atrás foi a vez da Toyota parar a produção na terra dos cangurus e no ano passado foi a Ford australiana e  assim os australianos só terão carros importados a disposição, o próprio Commodore de nova geração é um Opel Insignia rebatizado, sinceramente podiam chamar ele de Insignia.

MAS O QUE ACONTECEU?  Muita gente reclama dos impostos de importação no Brasil e no governo Dilma veio o IPI dos importados para aqueles que não tem fábrica no Brasil e aí vou extremistas, a OMC diz que o máximo é 35% do imposto de importação, que já é o modelo Brasileiro. Na Austrália a taxa era simbólica: 5% e apenas acordo comercial com dois países: Estados Unidos e Tailândia, lembrando que a Nova Zelândia não produz mais automóveis. Mas isso não seria tão problemático se o mercado australiano fosse grande a população grande, um clássico exemplo é o Estados Unidos por exemplo, mas existe outro e esse foi fator determinante: "Populismo cambial australiano" isso mesmo que você leu: tanto o partido trabalhista de lá como o conservador mantiveram o dólar australiano nivelado com o norte-americano e fazendo isso perto de país que desvalorizam a moeda como China, Japão, Tailândia, Coréia do Sul etc..... é praticamente um suicídio e ambos erraram feio nessa. 

"Populismo cambial" enterrou o "legítimo" Commodore.

O COMEÇO: No fim da primeira guerra mundial o governo australiano proibiu a importação de automóveis completos, liberando apenas o chassi, a Holden fazia carroças desde 1896 e passou a fazer  carros em CKD para várias empresas desde 1900 e em 1921 ficou com exclusividade dos General Motors, a Ford chegou em 1925 e fazia o mesmo esquema, mas em 1945 depois da primeira guerra mundial o governo australiano proibiu a importação completo de vez: nem mais chassi podia importar e a Holden foi a primeira a mostrar o primeiro  carro nacional australiano: o Holden FJ-215.

O Holden 215 com motor seis cilindros foi uma espécie de "Fusca australiano".

Vale aqui duas anotações nos períodos entre 1918 e 1948, em 1936 uma carta de uma mulher de um fazendeiro para a Ford local ter um carro para ir a missa no domingo e vender porcos na segunda e surgiu a Ute(aliás o termo Ute se referiu para as picapes em geral para os australianos). e em 1931 depois da crise de 1929 a Holden entrou em dificuldade e propós a fusão e a General Motors comprou a Holden australiana naquele ano de 1931. O Falcon só viria a ser produzido em 1960.

GUERRA DOS MUSCLE CAR EM BATHURST: O Campeonato australiano de turismo exigia praticamente carros de rua para correr na pista e ainda tinha as 500 milhas(que depois viraram 1000 KM) e aí surgiu o Ford Falcon GT V8(a Ford local apelou ao V8) e a resposta da Holden viria logo a seguir com a chegada do Monaro GTS V8 e lógico essa briga não parou mais, embora em 1972 houve mudanças para não serem mais iguais ao carro de rua para as corridas ,por causa do "Pânico dos supercarros" da época, vale menção também ao Chrysler Valiant parente dos nosso Dart.

O Ford Falcon GT V8 de início com 302 V8 Windsor, mais tarde o 351 V8 Clevalend.

OUTROS FABRICANTES: Além de Holden, Ford, Chrysler, a própria Toyota começou a produção do Corolla em 1966 na Austrália(deixou de fabricar o Corolla em 1999 na terra dos cangurus), mas continuava fabricando Camry e Aurion na terra dos cangurus. A British Leyand também produziu na Austrália e outra empresa fabricou sob licensa: Volkswagen e Renault, inclusive o Fusca e o Renault 12, mas não tiveram muito sucesso e essa empresa mais tarde foi comprada pela Nissan e óbvio passou a fazer carros Nissan.

1972 IMPORTADOS VOLTAM: Depois de fechar o mercado, os australianos liberam a importação de automóveis, ainda que a taxa de importação alta que vai caindo com o tempo até chegar ao nível atual.

HOLDEN ÚNICA A TER V8: Na década de 1980 a Ford australiana decide aposentar o motor V8 no Falcon, assim a Holden passa a ser o único australiano a ter motor V8 e nem mais era o Small-Block V8 Chevrolet e sim o Holden V8 muito popular na terra dos cangurus e não foi só isso: a Mitsubishi compra a Chrysler australiana e passa a fazer modelos da marca japonesa(aliás já fazia o Galant antes como Chrysler), a Nissan chega a fazer o Skyline de quatro portas na terra dos cangurus. Não foi só isso: o Plano de Button(então primeiro ministro) decidiu que os carros deveriam ser australianos o máximo possível e tome dois casamentos, ou seja duas: "Autolatina australianas", a Holden e a Toyota se unem e no caso o Camira(versão australiana do Monza) é substituído pelo Apollo derivado do Camry, assim com o Gemini(que não era mais derivada do Chevette) é substituído pelo Nova que era o Corolla com outro logotipo e a Holden cede o Commodore para a Toyota.  Na outra ponta: Ford e Nissan como resultado o Ford Telstar(derivado do Mazda Capella da época) é substituído pelo Ford Corsair versão do Pintara e a Falcon Ute dá origem a Nissan Ute.

O Holden VK SS foi o único australiano V8 de seu tempo.

BUSCA DE MERCADOS EXTERNOS: Na década de 1990 o Falcon volta ter a opção do V8 era o GT V8, inclusive o Windsor 302 V8 voltava atualizado com injeção eletrônica, o Holden Commodore ganhava nova geração no final da década de 1980 e no início da década de 1990 volta os motores Small-Block V8, o Magna passa a ser derivado do Diamante japonês a versão sedã passa a ser vendida nos EUA como Diamante, a perua passa a ser vendida nos EUA, Japão e na Europa, sendo que na terra do Jeremy Clarkson se chamava Sigma Wagon, já que o Diamante sedã era Sigma por lá. Depois o Commodore chega uma geração totalmente nova e chega ao Brasil como Chevrolet Omega e o Ford Falcon ganha uma gova geração com  suspensão traseira independente pela primeira vez na história, mas o visual "cafona" colocou tudo a perder. uma baixa da época: a Nissan fecha as portas da produção australiana em 1992.

O Falcon GT marcava o retorno do V8, agora Windsor 302 V8 com injeção eletrônica.


NOVAS PLATAFORMAS E UM DESENVOLVIMENTO GLOBAL: A Ford australiana havia estreado a plataforma EA desde 1988 que era da própria Ford australiana, entre 1960 e 1988 ele usou a base bem antiga, o Commodore de 1978 até 1988 usou a do Rekord E e esse por  sua vez herdou do Rekord C que deu origem ao nosso Opala. em 1988 a base passou a ser a V do Omega A que foi fabricado também no Brasil entre 1992 e 1998, em 1997 uma nova geração mantendo a base. Só que em 2006 os australianos estreiam a plataforma Zeta para o Holden Commodore e além dele passou a servir ao Chevrolet Camaro. Na Ford estreava a E8 que era exclusiva do Falcon australiano, mas também era nova naquele tempo e isso foi em 2007. A Toyota já havia deixado de produzir Corolla, mas seguia produzindo Camry e Aurion, e o curioso que a Toyota australiana abastecia o mercado Tailandês. Mas veio outra baixa: a Mitsubishi australiana em 2008 deixa de fabricar carros, afinal o Magna que vendia bem na década de 1990 era exportável, por assim dizer, nos anos 2000 já não tinha mais fôlego e o sucessor 380 foi um completo fracasso. Além disso depois da Mitsubishi os governos passaram a dar subsídios estatais para as empresas continuaram fabricando na terra dos cangurus, desculpe as expressão mas ela é pesada: "adoram mamar  nas teta do governo" é bem isso mesmo.

O Holden VE Commodore estreava a plataforma Zeta, motores V6 e V8.

O Camaro era feito na mesma plataforma.

O COMEÇO DO FIM: O mercado australiano ficou com três fabricantes, o Holden Commodore ex-campeão, começou o ano de 2010 em décimo, o Falcon que era quinto lugar, caiu lá para os vigésimos, dentro da Ford houve o programa OneFord e onde encaixar o Falcon, a Toyota é que estava em melhores condições e aí era aquela: quem caia primeiro tombaria a outra, a Ford foi a primeira a anunciar o fim da produção australiana em 2013 e em 2016 ela daria adeus, mas não sem antes de dar um facelift ao Falcon, o Holden Commodore já havia ganhado o facelift chamado de VF, depois de seis meses da Ford anunciar o fim da produção australiana, a Holden também anuncia, quando a Ford anunciou o fim a Toyota disse que continuaria, mas com o fim da Holden não havia mais alternativa: sem fornecedores, Akio Toyoda, anunciou chorando o fim da produção da Australia, afinal a planta australiana foi a terceira fora do Japão e a segunda para carros de passeio. era o final da produção australiana. 

O último dos Falcon: XR8 com facelift.

O FINAL:  A Ford foi a primeira  deixar a produção local em 2016, embora mantenha o centro de engenharia,(aliás a mesma estratégia da Mitsubishi), a Holden além da produção local fechou o departamento de engenharia e a Toyota também fechou a  fábrica, no caso da Holden e a Toyota, a segunda acabou fechando primeiro e a primeira foi a última: o primeiro carro australiano foi um Holden e o último foi um Holden.

NASCIDA: 1948
MORTA:2017.


A principio a Holden segue como marca e vendendo carros importados rebatizados, assim como as outras, embora não precisem rebatizar as marcas até nomes.










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